É um gosto de areia que fica na garganta. E não há verbo que se conjugue. O tempo não escuta as preces e a minha pressa se refaz hoje, a cada instante. Pressa de largar para trás e secar o sol que abafa a janela. Nada do que se diga, estanca a dor de lá fora. O passado é teu, somente! Eu? Colho o orvalho de amanhã cedinho e nele (re)encontro o que me esperou ontem. Passou. Não tenho retrovisor e meus olhos saem, não entram mais. O que restou é esquecimento. O que fica é aquilo que corre na vala comum. Pensar é morfina. Jogue-se fora. Comecemos de novo. Prazer, presente!
31 de outubro de 2011
30 de outubro de 2011
Sem valor
A magia das palavras é aperitivo doce que sacia a alma inquieta. Mas é preciso cuidado. Quando a alma escorre lenta, a razão cai ladeira abaixo. O andar se torna turvo. O olhar se desliga. A atenção se dissipa e então a ironia é tiro certo, mas sem alvo. Em vão. Da maldade, o que se traduz é pálido, sem cor e sem sentido. Não adianta. Espere, observe e absorva. Um tapa na cara de quem perde ou esconde a razão é estupidez desnecessária que diminui, despreza e se perde. Plante uma árvore. E pronto. Deixe lá plantadas suas palavras decoradas e rasgadas de outros poemas. Para um bom entendedor, meio poema basta.
25 de agosto de 2011
16 de agosto de 2011
um desalinho
quando sou, escrevo e penso
que descaminho
que volto sempre
que jogo, que lanço
do laço desfeito
que dessamarra
quando me prende, respira e solta
não desanimo
que verde, azul, céu é sempre rosa
quando mesmo ausente
me segura a ponta
que desde sempre volta
e quando volta
desde quando espero e (des) espero
quando sou, escrevo e penso
que descaminho
que volto sempre
que jogo, que lanço
do laço desfeito
que dessamarra
quando me prende, respira e solta
não desanimo
que verde, azul, céu é sempre rosa
quando mesmo ausente
me segura a ponta
que desde sempre volta
e quando volta
desde quando espero e (des) espero
12 de agosto de 2011
de espera
Ele tem o dom de me acalmar.
Ele fala e tudo vira nuvem.
Seu toque é como uma brisa que me faz esperar de novo.
Quando me abraça, cada poro salta para fora e logo se recolhe para guardá-lo para sempre.
Ele tem a inteligência de um homem maduro e a alegria de uma criança que descobre o mundo.
Seu olhar me traz a paz que preciso.
Seu beijo me desliga, solta e me faz ir para outro mundo.
Ele me esperou em cada esquina.
Ele viveu, sonhou, caiu, se desfez e se fez inteiro para me viver.
Tenho a esperança de que cada segundo sem ele vale a pena.
Porque é dele que tenho minha eternidade.
p.s.: esse texto foi feito em 2011, para quem ainda não veio.
Ele fala e tudo vira nuvem.
Seu toque é como uma brisa que me faz esperar de novo.
Quando me abraça, cada poro salta para fora e logo se recolhe para guardá-lo para sempre.
Ele tem a inteligência de um homem maduro e a alegria de uma criança que descobre o mundo.
Seu olhar me traz a paz que preciso.
Seu beijo me desliga, solta e me faz ir para outro mundo.
Ele me esperou em cada esquina.
Ele viveu, sonhou, caiu, se desfez e se fez inteiro para me viver.
Tenho a esperança de que cada segundo sem ele vale a pena.
Porque é dele que tenho minha eternidade.
p.s.: esse texto foi feito em 2011, para quem ainda não veio.
8 de agosto de 2011
sem pressa
É como uma letargia. O tempo parou e o trânsito passou por mim hoje. O sol subiu tão lento, como quem acorda com preguiça. O som apenas da respiração, entre as mãos. Tudo mais era inaudível. Sem sentido, sem vibração, sem som. Meu corpo parou no tempo e minhas mãos estavam lentas. Nos meus olhos, apenas o estático. Um segundo apenas que me roubou para uma eternidade. E tudo mais segue devagar. Sem pressa.
31 de julho de 2011
Lento
Si quieres un poco de mí
Me deberías esperar
Y caminar a paso lento
Muy lento
Y poco a poco olvidar
El tiempo y su velocidad
Frenar el ritmo, ir muy lento, más lento.
Sé delicado y espera
Dame tiempo para darte
Todo lo que tengo.
Si quieres un poco de mí
Dame paciencia y verás
Será mejor que andar corriendo
Levantar vuelo
Y poco a poco olvidar
El tiempo y su velocidad
Frenar el ritmo, ir muy lento
Cada vez más lento.
Sé delicado y espera
Dame tiempo para darte
Todo lo que tengo.
Si me hablas de amor
Si suavizas mi vida
No estaré más tiempo
Sin saber que siento.
Sé delicado y espera
Dame tiempo para darte
Todo lo que tengo.
Me deberías esperar
Y caminar a paso lento
Muy lento
Y poco a poco olvidar
El tiempo y su velocidad
Frenar el ritmo, ir muy lento, más lento.
Sé delicado y espera
Dame tiempo para darte
Todo lo que tengo.
Si quieres un poco de mí
Dame paciencia y verás
Será mejor que andar corriendo
Levantar vuelo
Y poco a poco olvidar
El tiempo y su velocidad
Frenar el ritmo, ir muy lento
Cada vez más lento.
Sé delicado y espera
Dame tiempo para darte
Todo lo que tengo.
Si me hablas de amor
Si suavizas mi vida
No estaré más tiempo
Sin saber que siento.
Sé delicado y espera
Dame tiempo para darte
Todo lo que tengo.
26 de julho de 2011
sem sentido
O gosto das palavras quentes me acorda
do chão frio da sala me convidam
a passar a noite olhando pela janela
me despertam no meio da noite sem sono
quando saio me visto de palavras frias
de cores calmas, sem cor
quando pisco, saltam pelos olhos
como quem brota da chuva
é o gosto das palavras que são ditas
sem sentido
que me esperam
e me acalmam, trazem o sono
fecho a porta, desligo a luz e acordo
do chão frio da sala me convidam
a passar a noite olhando pela janela
me despertam no meio da noite sem sono
quando saio me visto de palavras frias
de cores calmas, sem cor
quando pisco, saltam pelos olhos
como quem brota da chuva
é o gosto das palavras que são ditas
sem sentido
que me esperam
e me acalmam, trazem o sono
fecho a porta, desligo a luz e acordo
só
não tenho sentido, desses de dicionário
não há palavra que me decifre
nem verbo que me conjugue
sou frase solta, palavras sem rima, sem prosa
mas sou riso, conversa, dilema e espera
sou qualquer palavra
mas não sou nenhuma
sou qualquer coisa que se sinta, mas que não se explica
sou monossílaba
de palavras curtas e soltas
e só
não há palavra que me decifre
nem verbo que me conjugue
sou frase solta, palavras sem rima, sem prosa
mas sou riso, conversa, dilema e espera
sou qualquer palavra
mas não sou nenhuma
sou qualquer coisa que se sinta, mas que não se explica
sou monossílaba
de palavras curtas e soltas
e só
22 de julho de 2011
Quando faz morada?
Entrou bem devagar, pelo canto do olho direito. Foi numa noite de frio de repente e eu confesso, estava mesmo esperando. Passava aqui por algumas tardes e pousava sobre a laranjeira. Eu, do alto da torre, fingia que observava a brisa leve, sem cor, sem cheiro e assim seguia forte, sem nada para abalar meu sono. Mas eu olhava, de canto de olho e piscava, para não entrar aqui dentro. Buscava e desviava. E passei a não buscar mais nada. Só pra garantir que quando quisesse entrar pelos olhos, eles estivessem abertos e atentos. E esperei. Li alguns livros, desliguei a janela. O sol se foi e o frio me empurrou para mais outro livro. E quando vi, entrou. Pelo canto do olho. E agora esta aqui, com pequenos movimentos no meu estomago. Batendo asas. Só para me lembrar de ficar de olhos ainda mais abertos, de me vestir de branco e de sorriso e de sonhar, antes de dormir.
21 de julho de 2011
8 de junho de 2011
um segundo
de pé na janela
do olho no espelho
do reflexo de fora
vejo a chuva
escorrendo mole
com preguiça
como quem beija
o gosto de nuvem
e saboreia o segundo
a chuva que escorrega
como quem segura
para nao cair
e marca como lesma
a janela que me reflete
que me escorre por dentro
e me fisga no tempo
parado
de um segundo
do olho no espelho
do reflexo de fora
vejo a chuva
escorrendo mole
com preguiça
como quem beija
o gosto de nuvem
e saboreia o segundo
a chuva que escorrega
como quem segura
para nao cair
e marca como lesma
a janela que me reflete
que me escorre por dentro
e me fisga no tempo
parado
de um segundo
25 de maio de 2011
De vírgula
Não vivo de brisa. Vivo do forte intenso gosto de pressa e depressa e de novo. Não quero um porto seguro me solte na larga rua. Do cheiro do gosto perfeito e amargo do sol da janela do carro. Não divago nem ando devagar na hipocrisia da música que prende que rende. Nem sinto também porque não há tempo nem espera de seguir. Nem quero da mão seca um afago. Dispenso. Me pega a palavra solta e me dá uma vírgula. Ponto final eu já tenho.
24 de maio de 2011
desapego
É no descompasso do desespero que desapego
Do dissimulado e desiludido dissabor que desacredito
Discernimento do desfavorável que disserta o desalinhado
Já não acredito que desanimo no desafino posto
E me deparo com quem flerta do destino
E desamparado com disritmia segue a disputa
Da discordância do devaneio dissonante
Me dissolvo, me decoro, me devoras, e de costas sigo.
Do dissimulado e desiludido dissabor que desacredito
Discernimento do desfavorável que disserta o desalinhado
Já não acredito que desanimo no desafino posto
E me deparo com quem flerta do destino
E desamparado com disritmia segue a disputa
Da discordância do devaneio dissonante
Me dissolvo, me decoro, me devoras, e de costas sigo.
10 de maio de 2011
novo inquilino
decidi que vou morar dentro de mim
faz tempo que sai e nao voltei
ficava ali festando, festando
amar sempre foi uma festa
mas vou morar aqui agora
não é reforma, nem pausa
nem cansaço
é vontade de morar mesmo
de ter uma casa só minha
tirei o tapete da porta
mas logo ele fica limpo
e coloco de volta
por enquando, só eu aqui
nao é solidão também
é vontade de morar mesmo.
faz tempo que sai e nao voltei
ficava ali festando, festando
amar sempre foi uma festa
mas vou morar aqui agora
não é reforma, nem pausa
nem cansaço
é vontade de morar mesmo
de ter uma casa só minha
tirei o tapete da porta
mas logo ele fica limpo
e coloco de volta
por enquando, só eu aqui
nao é solidão também
é vontade de morar mesmo.
17 de maio de 2010
do que o dia é feito
do chão corrido
de chão batido
de calo no pé
de nó na garganta
de pedra no caminho
de sabor amargo
de dia nublado
de batida de carro
de fúria, de injúria
de relógio quebrado
de tempo apressado
mas todo dia tem sabor
de descoberta
de desafio
de encontro
de gosto doce
de beijo quente
de cachorro no quintal
viver é dosar
dia após dia
do que o dia compõe
de chão batido
de calo no pé
de nó na garganta
de pedra no caminho
de sabor amargo
de dia nublado
de batida de carro
de fúria, de injúria
de relógio quebrado
de tempo apressado
mas todo dia tem sabor
de descoberta
de desafio
de encontro
de gosto doce
de beijo quente
de cachorro no quintal
viver é dosar
dia após dia
do que o dia compõe
no inverno
é no inverno que me aqueço
ele traz o conforto do frio
e a inconstância do sol
as palavras saem pela janela
dão uma volta na grama úmida de orvalho
voltam pra dentro de mim
e me aquecem
saem de novo
brincam de montanha russa
jogam queimada debaixo da chuva
e voltam de novo
saem borbulhando quando o café entra
e ficam estáticas quando deito no sofá
pra aquecer os pés
mas ele me conforta
mesmo quando esconde meu sol
ele traz o conforto do frio
e a inconstância do sol
as palavras saem pela janela
dão uma volta na grama úmida de orvalho
voltam pra dentro de mim
e me aquecem
saem de novo
brincam de montanha russa
jogam queimada debaixo da chuva
e voltam de novo
saem borbulhando quando o café entra
e ficam estáticas quando deito no sofá
pra aquecer os pés
mas ele me conforta
mesmo quando esconde meu sol
9 de maio de 2010
meu sol
Ele bateu na porta e entrou devagar. Tomou meu ar, me trouxe o sol e hoje minha manhã tem cor de brisa leve. Ele entrou com calma, sem pressa. No meu tempo exato, mesmo depois de tanto tempo. Ele me fez tocar o ar, a noite e o céu. Ele me desperta e me acalma. Ele me encanta e me fascina. Seu beijo me cobre, me cuida. E agora sonho de olhos acordados...
6 de maio de 2010
Aff
Ninguém é maior que ninguém. Erros e acertos não fazem um maior que o outro. Eu não sou maior por perdoar. Não perdoei. Já disse: é falha de memória. Mas a mim, sim, já perdoei faz tempo. Sabe por quê? Porque descobri que depois disso tudo é que eu realmente sou feliz. Detesto gente que se coloca acima, com discurso ácido. Eu bato no peito mesmo!!! E vou bater sempre. Não tem essa de que “um dia pode acontecer com você”. Comigo não Biallll. Sou mais forte. As escolhas sou eu quem faço. Nenhum copo de cerveja a mais vai me culpar de nada. Tenho orgulho de não ter traído. Mas nem sempre foi assim porque na verdade eu trai a pessoa que mais amo nessa vida: eu mesma. Traí no momento que me deixei trancada lá fora, iludida num conto de fadas. Sabe o que é melhor? Assumir que cada um erra mesmo e pronto. E a gente passa a vida tentando acertar. Acertar e errar nao se resolve na simples soma matemática de que "errei para acertar la na frente"... isso é querer botar a própria culpa no pobre do destino... E discurso de que sou melhor e o mundo está bem abaixo de mim, tambem não serve. Só diminui. Humildade pra reconhecer é tudo! Quem tem, sabe o preço disso. Mas agora pensa... não é um alivio saber que estou bem e feliz, como nunca estive antes? É sim.... é só parar e pensar. Pelo menos na lista de pontos, estamos empatados.
3 de maio de 2010
sol que toca
mergulhei no sol essa noite
sai leve, pisando sobre a água
de uma leveza de alma
o sol transbordou meu corpo
com seu toque quente
de mãos largas
e iluminou cada poro
agora tenho os olhos acesos
e as palavras calmas
tenho um gosto doce na boca
e a garganta molhada de novos sentimentos
de espera, de verde e de rio
eu nao sei quando o sol se põe
mas agora ele mora em mim
e me deixa viva, inteira
sai leve, pisando sobre a água
de uma leveza de alma
o sol transbordou meu corpo
com seu toque quente
de mãos largas
e iluminou cada poro
agora tenho os olhos acesos
e as palavras calmas
tenho um gosto doce na boca
e a garganta molhada de novos sentimentos
de espera, de verde e de rio
eu nao sei quando o sol se põe
mas agora ele mora em mim
e me deixa viva, inteira
30 de abril de 2010
aceitar é ser livre
não precisa de cuidado para serem escolhidas
sao colhidas ao pé da garganta
que anda no chão seco de gente
que entende de menos
sabemos
que busca no terço
um berço, conforto, alento
do talento que a gente não tem
do bem que é sentir inteiro
ligeiro e lento do que é viver
querer ser livre e preso
coeso, um, o mesmo
de se entregar e se tomar de volta
de seguir só e acompanhado
atordoado de destino e de vida
não precisa de cuidado para serem escolhidas
palavras brotam do chão do ar e do ar
aceitar é ser livre
sao colhidas ao pé da garganta
que anda no chão seco de gente
que entende de menos
sabemos
que busca no terço
um berço, conforto, alento
do talento que a gente não tem
do bem que é sentir inteiro
ligeiro e lento do que é viver
querer ser livre e preso
coeso, um, o mesmo
de se entregar e se tomar de volta
de seguir só e acompanhado
atordoado de destino e de vida
não precisa de cuidado para serem escolhidas
palavras brotam do chão do ar e do ar
aceitar é ser livre
28 de abril de 2010
dias sem sol II
Fui para o estacionamento. Olhei o carro. Intacto. Dormindo. Olhei os pneus. Nada. Só o ar. Entre, liguei, aumentei o som. Sai, observando o portão levantando-se mais lento que meus pensamentos. Pensei no trajeto e segui, mecanicamente. Mas nesses dias sem sol, meu pensamento é absorto, solto, sem nexo. Nada é mecânico. Errei o caminho, sem perceber. Percebi. Tarde demais. Volto. Não quero uma nova rua que me leva a mais um erro. Sigo no automático. No meio da música, canto a próxima. E erro o caminho de novo, e de novo, e de novo. Não me irrito: me aceito como sou sob os dias sem sol. Sigo apenas. Uma hora ou outra me acho de novo. Espero.
26 de abril de 2010
dias sem sol
Eu me deito e espero a água correr pelo meu corpo, turva que me lava até ficar límpida sob meus pés. Não é o mar que corre dentro de mim que me acalma. Mas ele é como morfina, anestesia para meu corpo que se fecha. Não quero respirar porque tenho medo de perder o sopro da vida. Respiro devagar, dolorido, sentindo o gosto e o tempo de cada segundo inerte. Meu corpo parado estanca todos os poros. Minha eternidade se faz. Fico parada. Seguro o tempo na palma estática. O mar que corre para fora de mim leva tudo o que tenho e deixa meu corpo quieto. Nesse dia, um sangue branco sem pulso corre por mim e me deixa vaga. Nesse dia, a felicidade inteira e exagerada dá lugar a não-felicidade. Ela não é tristeza. Ela não é não-viver e não-sonhar. Ela é apenas longe da loucura dos meus outros dias. Mas eu me abasteço nela. Eu me limpo de tudo para senti-la. Dou lugar ao vazio que nunca habita em mim, à quietude que nunca me encanta. E acho que por isso tenho tanta energia para todos os dias de sol. Porque quando esse mar me lava, ele me tira todos os medos, todos os sentimentos. Me deixa seca, sem orvalho. Assim, à deriva, sem pensamento ordenado. Pronta para os outros dias de loucura que seguem.
23 de abril de 2010
sou isso
Mergulho de corpo inteiro. Não sei fazer diferente. Gente tem que ser gente por completo. Uma nova paixão é como vício. Transpira pelos poros, salta os olhos, gela as mãos, inebria o ar, prende a boca que solta pra falar, sem controle, sem pudor, sem reservas. Não tenho uma reserva. Tenho passaporte livre para uma vida sempre em cor de rosa. Me hospedo na urgência calma de um dia após o outro. Habito a rede que balança, no meu balanço lento, parado, que mexe minha alma inquieta, que me transporta para o além vida. Fico quieta com o pensamento apressado, que corre mais rápido e me atrapalha nas palavras soltas, sem sentido. Dizem que é coisa de aquariano. É coisa de gente que vive, que se entrega, que se busca. Na minha busca de sempre, pelo ar apertado que circula na pele, pelo beijo doce que me sacia a fome, pela vida louca que me deixa calma. Na minha entrega por tudo, pelos cantos, pelo fundo, pela porta. Entrega inteira de partes que se moldam, se completam, se encantam, se fascinam. Do meu fascínio pelo vicio, pela aurora, pela madrugada, pela chuva. Da minha chuva que me encharca, que me cobre e transborda. Não sei ser diferente. Nem espero ser. Sou isso, sempre.
porta
eu tenho uma porta
que bate fecha quando grito
que corre atrás da tranca
trinca no meio quando chove
segura o vento quando corre
corta o cheiro do lado
mas bate bate enlouquece
me tira da campainha
ela bate e me esquece
porta que importa
torta ela segue
vida própria
sem sentido
como eu
21 de abril de 2010
camaleoa
sou camaleoa, por dentro, por fora
mudo sempre
muda nunca
só quando a pele se cala
camaleoa de alma
de janela sempre aberta
espiando pela porta
cama leoa mansa
que devora
cor, ar e céu
mudo sempre
muda nunca
só quando a pele se cala
camaleoa de alma
de janela sempre aberta
espiando pela porta
cama leoa mansa
que devora
cor, ar e céu
20 de abril de 2010
feliz assim
Eu tenho felicidade de pao de queijo
e de pão amanhecido também
do algodão da colcha à noite
tenho felicidade de café
de aroma e gosto o dia inteiro
tenho felicidade de feijão quentinho
caldinho grosso no frio e no almoço
tenho felicidade de estrada longa
de cheiro de verde, de pasto, de curral
tenho felicidade de inhas e inhos
as mãozinhas do filho
as pedrinhas do jardim
as formiguinhas na sacada, logo cedo
a tardezinha, sem fazer nada
de manha cedinho, acordar leve
não preciso de muita coisa
sou feliz assim, na calmaria e no turbilhão.
e de pão amanhecido também
do algodão da colcha à noite
tenho felicidade de café
de aroma e gosto o dia inteiro
tenho felicidade de feijão quentinho
caldinho grosso no frio e no almoço
tenho felicidade de estrada longa
de cheiro de verde, de pasto, de curral
tenho felicidade de inhas e inhos
as mãozinhas do filho
as pedrinhas do jardim
as formiguinhas na sacada, logo cedo
a tardezinha, sem fazer nada
de manha cedinho, acordar leve
não preciso de muita coisa
sou feliz assim, na calmaria e no turbilhão.
19 de abril de 2010
quem entende de saudade?
eu ainda nao tenho minha saudade, dessas que dói por dentro, que nos arranca de tudo. Minha saudade é doce, é feita dos pequenos detalhes que me alimentam durante o dia! Mas eu sei que ela ainda vem... vai me nocautear, vai me deixar jogada no chão, pendindo trégua. E eu rezo para que ela venha logo, pra colorir meu dia ainda mais forte e intenso! Porque eu só sei viver assim, na mais absurda paixão e loucura.
e como eu to doce mesmo.. um trecho de Neruda pra embalar:
"Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já... Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais... Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido".
Pablo Neruda
e como eu to doce mesmo.. um trecho de Neruda pra embalar:
"Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já... Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos machuca, é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais... Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido".
Pablo Neruda
dorflex
Eu me dei conta que não sei fazer outra coisa. Eu espero. Numa inútil insanidade percebo que o passado ficou trancado na gaveta e quando sonho não sei se a hipnose me traz as lembranças de volta ou se solto meus bichos presos debaixo da cama. E eu tento. Faço um esforço sobrenatural para não esperar. Porque esperar é viver em outra dimensão, entre o sonho e a realidade. Mas eu não sei agora, nesse momento, fazer outra coisa. Tomo um dorflex mastigado amargo e deito. É de propósito. Porque eu sei que as lembranças estão lá, em algum lugar. Só que ninguém me diz onde. Tento o lance da hipnose de novo. Daí vem tudo. Puta merda. Era sonho?
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